1 de abr de 2009

Opção de investimento...

Seja o banco das empresas


Emprestar para companhias virou uma opção atraente até para quem não é um grande investidor - os rendimentos estão maiores e a aplicação mínima começa com 1 000 reais

A última abertura de capital realizada na Bolsa de Valores de São Paulo ocorreu há mais de nove meses, em junho do ano passado. Foi feita pela OGX, companhia de petróleo controlada pelo bilionário Eike Batista. Entre as empresas que já têm capital aberto, somente três fizeram novas ofertas de ações para captar recursos nesse período - e, com a crise internacional, tudo indica que nos próximos meses o mercado continuará assim, pouco movimentado. (Esta crise é profícua em recordes, e mais um foi batido em janeiro deste ano: não houve sequer um IPO realizado em todo o mundo.) O marasmo no mercado de capitais criou um problemão para as empresas e uma oportunidade de aplicação em renda fixa para os investidores. Sem poder contar com a bolsa como fonte de financiamento - e com muito mais dificuldade de tomar empréstimos -, as companhias brasileiras têm sido obrigadas a lançar mão de alternativas mais caras para se financiar. Para elas, pagar mais pelo dinheiro é um problema. Mas, para o investidor disposto a fazer o papel de banco das empresas, é um bom negócio.


As grandes companhias estão emitindo três tipos de título privado: as debêntures, as notas promissórias e os Certificados de Recebíveis Imobiliários, os chamados CRIs. Para quem não está acostumado com o jargão financeiro, os nomes soam complicados, mas a maneira como esses produtos funcionam é simples. As debêntures e as notas promissórias são títulos de dívida emitidos pelas empresas que pagam uma remuneração predeterminada aos investidores. Os CRIs são títulos ligados a operações imobiliárias e representam valores que a companhia tem a pagar e a receber, como as prestações de um imóvel. Os CRIs também pagam um retorno predeterminado por certo período de tempo. Para aplicar nesses produtos, é preciso ter uma conta numa corretora de valores.


Esses títulos existem há anos no mercado, mas suas condições há muito não eram tão boas para os investidores. Além de oferecerem rendimentos mais elevados que no passado, seus valores mínimos de aplicação, antes altíssimos, estão diminuindo. A BNDESpar, empresa de participações do BNDES, e a Bradespar, holding do Bradesco que investe na Vale e na CPFL, lançaram recentemente debêntures de 1 000 reais. A rentabilidade desses papéis costuma ser atrelada à inflação ou ao CDI, que é o juro médio de mercado e hoje está em torno de 11,25% ao ano. No caso da Bradespar, por exemplo, o retorno oferecido é de 115% do CDI. É bem mais do que pagam outras aplicações de renda fixa, como os CDBs, títulos de dívida emitidos pelos bancos. Vale lembrar que a rentabilidade maior dos títulos de empresas privadas não vem de graça. Os riscos são maiores. Isso porque eles não contam com o respaldo de um fundo oficial, que cobre até 60 000 reais aplicados em produtos como CDBs e cadernetas de poupança. "Quem empresta para empresas precisa saber que, se elas quebram, o investidor fica no prejuízo. É um risco que cresce com a desaceleração da economia", diz Marcelo Xandó, diretor da gestora de recursos Verax. Antes de investir, é preciso buscar informações detalhadas sobre a situação financeira da companhia.


Há duas formas de comprar títulos de empresas. Uma delas é parecida com o processo de investimento dos IPOs. Assim como ocorre nas ofertas de ações, as empresas precisam enviar um comunicado ao mercado quando decidem emitir um título. Dessa forma, as corretoras ficam sabendo da intenção, informam os clientes, e os interessados fazem reservas para aplicar nos papéis. A outra forma é comprar papéis que já estão no mercado. Nesse caso, é preciso especificar ao corretor o tipo de papel e o preço pretendidos. Cabe a ele buscar opções entre os próprios clientes ou com outros corretores. O processo, como se vê, não é simples - e isso faz os títulos de empresas ser pouquíssimo negociados, o que pode ser um problema para os investidores. "Em média, leva uma semana para comprar ou vender esses produtos", diz Rogério Betti, sócio da consultoria Beta Advisors. "Quem tem pressa pode ser obrigado a dar descontos." Como se vê, é preciso ter alguma dose de paciência para ganhar dinheiro em períodos de crise.


Fonte: Portal Exame

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